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04 março 2010

APROPRIAÇÃO X EXPERIMENTAÇÃO

(publicado em 04.03.10)

Por Edileno Capistrano


Parece que sempre há polêmica quando o tema envolve pixação e grafite. Essa arte urbana e pública, geralmente usada como manifestação de protesto social pelos jovens da periferia, é assunto de interesse de muitos e volta e meia provoca discussões entre jovens, artistas, políticos e intelectuais por diversos fatores. Aqui na Bahia, há alguns anos atrás, o artista Willyams Martins causou polêmica ao expor “Peles Grafitadas” num Salão de Artes Visuais. Sua obra consistia em aplicar sobre telas, recortes de grafites retirados de muros das ruas de Salvador através de uma técnica que permitia o seu deslocamento de um suporte para o outro, mantendo a forma da imagem recortada. De “ladrão de graffiti” a “novo Duchamp”, Willyams ganhou notoriedade e trouxe a público alguns questionamentos como o papel da arte e do grafite.

Dessa vez o fato ocorreu em São Paulo e envolveu um designer. Há alguns meses atrás o, também, tipógrafo e professor Gustavo Lassa expressou indignação na sua página do flickr, uma rede social da internet, ao acusar a Fox Brasil* de plágio, perante a apropriação ilícita e uso de um dos seus produtos: a fonte digital “Adrenalina”, na identidade visual da minissérie “9mm: São Paulo”, produzida pela mesma. O interessante é que a sua indignação provocou outras e o próprio Lassa também foi acusado de plágio por um pixador, já que a Adrenalina é inspirada em pixações, e o resultado disso tudo foi um rico debate, com 47 comentários (por enquanto).

Conheça o trabalho de Willyams Mastins no site http://www.martins.art.br/ e confira o debate no http://www.flickr.com/photos/lassala/3658077476/. No mínimo é interessante.

* http://pt.wikipedia.org/wiki/FOX_Brasil

Crédito da imagem: Diego Singh
Disponível em: http://www.diaadia.pr.gov.br/tvpendrive/modules/mylinks/viewcat.php?cid=17&letter=S


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Edileno Capistrano Filho, soteropolitano, é graduado em Desenho Industrial, com habilitação em Programação Visual (Design Gráfico), pela UFBA. Atualmente trabalha como Designer Gráfico na FUNCEB. A tipografia brasileira tem atraído a sua atenção ultimamente. Tímido, mas inquieto é mais ouvinte que falante. Gosta de curtir uma boa música, e arrisca tocar instrumentos de corda como o cavaquinho e o violão.

2 comentários:

  1. Olha só, tanto o willians martins quanto o gustavo lassa e a própria fox fizeram dinheiro com uma arte que a propria rua sustenta, por que se tem um graffiti ali ou uma pixação, não é seu e não é de ninguem, mas é de todo o mundo. E eles se apropriaram de uma arte das ruas para ganhar dinheiro em cima de uma arte que é das ruas.As pessoas de baixa renda ja não tem acesso a arte e a educação e ja tão querendo comercializar o graffiti e a pixação por mais marginalizada que ela seja. Faço graffiti há 4 anos e sou estudante de Design Gráfico da UNIJORGE e vejo muito isso no universo da arte de rua.
    E na rua aqui se faz e aqui se paga, então o respeito tem que prevalecer sempre.
    Sou contra os designers se apropriarem de elementos da pixação e usarem pra ganhar dinheiro.

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  2. Leandro, essa questão de se “apropriar” de uma arte de rua é uma situação bem comum na tipografia. Cito dois exemplos: Priscila Farias, com a fonte Seu Juca e Fernando PJ, com a fonte Suburbana. Os dois tipógrafos produziram fontes digitais com base em trabalhos de letristas populares. A diferença é que uma foi disponibilizada gratuitamente para download e outra não. Há muitas opiniões sobre essa questão, cada um justifica e defende a sua. É importante que esse debate aconteça e você, como artista de rua e estudante de Design, é a pessoa ideal para enriquecer esse assunto produzindo material que possa contribuir para ambas as partes. Obrigado por expor sua opinião. Abraço!

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