09 março 2009

DESIGN, INDÚSTRIA E ESTRATÉGIA

(publicado em 09.03.09)

Nos últimos anos, tem sido repetido constantemente o mantra do design como ferramenta estratégica de diferenciação e agregação de valor. Na verdade, em um mercado que segue um padrão determinado de produção, qualquer variação deste padrão pode ser considerada uma diferenciação – quer traga lucros para a empresa ou não. Até pouco mais de 10 anos atrás, era essa a realidade de boa parte da indústria brasileira – sem condição de enfrentar um mercado global, vítima de duas décadas de ditadura e uma porção de planos econômicos mal-sucedidos. Em tal cenário, o design estratégico – que há décadas já havia sido adotado como ferramenta fundamental de inovação em países como Japão, Inglaterra e EUA, enquanto no Brasil ainda era muito relegado à posição de mero adorno – começava a surgir como alternativa aos processos “padrão” de desenvolvimento de novos produtos.

De acordo com pesquisas da CNI, há 10 anos, apenas 52% da indústria nacional utilizava o design industrial no desenvolvimento de produtos – variando de 90% (indústria de brinquedos) a 37% (máquinas e equipamentos). Para 75% das empresas entrevistadas, o investimento em design trouxe um aumento das vendas dos dois anos que precederam a entrevista – e apenas 18% afirmaram haver um aumento do custo de produção. Se há 15 anos, as duas décadas de protecionismo excessivo do estado ainda mostravam suas conseqüências, há 10 estava mais que provado que uma boa gestão do design não se limitava, afinal, a uma mera agregação de valor – o design passou então a ser pré-requisito estratégico para qualquer empresa de sucesso. Internacionalmente, empresas consolidadas pelo poder de inovação – desde a multi-facetada Apple às cafeterias Starbucks, recém-desembarcadas no Brasil – há anos inserem o design dentro de seus planos estratégicos. Nestas empresas, é comum haver um ou mais designers dentro do corpo de executivos principais.

Mas e hoje? Hoje, uma empresa de eletroeletrônicos brasileira bate de frente com a própria Apple; com, é claro, o agravante da pesada carga tributária e as confusas normas de propriedade intelectual, que continuam complicando a vida de qualquer empresa que queira se voltar para a inovação. A boa notícia: estamos melhorando. Porém, de nada adianta a ajuda do estado se a própria empresa não é capaz de se situar em seu mercado.


Pense em sua própria empresa. Como ela trata o design? Faz parte do cotidiano da empresa? Inovar é muito mais fácil quando se torna um hábito. Tudo isso pode parecer irrelevante se a sua empresa é da área de serviços. Pois bem, novidades: embora pouco conhecida no Brasil, está se consolidando uma nova área do design conhecida como “service design”. Design, afinal de contas, não é um adendo – é um processo, que engloba toda a empresa. E como todo processo, precisa ser gerido – com eficiência e profissionalismo.

Luiz Fernando Pizzani é coordenador geral do Projeto Empreendedorargh!, uma iniciativa de cursos de curta duração, palestras e pesquisas itinerante sobre mercado de trabalho e empreendedorismo em design no Brasil. É bacharel em desenho industrial - projeto de produto pela PUCPR, pós-graduando em CBA de Gestão de Negócios pela Estação-Ibmec Business School e presta serviços de consultoria para empresas de design recém-formadas ou em fase de formação. É viciado em livros estranhos, cartazes bizarros, purê de batatas com legumes e encontros de design - não necessariamente nesta ordem.

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